Síndrome do ninho vazio: o que é e como lidar com a saída dos filhos

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Filhos crescem e, uma hora ou outra, precisam sair de casa. 

O sentimento de auxiliar na construção de um caminho promissor para aquele que você mais ama é, de fato, algo muito bom, porém, muitos pais sofrem quando chega o momento do distanciamento.

Trata-se da Síndrome do Ninho Vazio, que é aquele período de luto pelo qual alguns pais e mães passam após verem seus filhos saírem pela porta de casa rumo a mais uma etapa de seu crescimento e evolução. 

Confira nosso artigo e aprenda mais sobre a Síndrome do Ninho Vazio, alguns dos seus principais sintomas e veja algumas dicas para lidar bem quando chegar o momento do seu filho sair de casa.

O que é a Síndrome do Ninho Vazio?

A Síndrome do Ninho Vazio ocorre com pais e mães quando chega o momento de partida dos filhos para seus próprios rumos, ou seja, quando eles saem de casa. 

Geralmente, ela ocorre quando os filhos já estão crescidos, saindo da adolescência e partindo para a fase adulta. 

Essa etapa da vida é justamente um período onde ocorrem as separações relativas ao desenvolvimento, seja para cursar a faculdade em outra cidade/país ou porque as crianças já não são tão crianças assim e estão começando a desenvolver seu próprio núcleo familiar e independência financeira.

Alguns especialistas fazem uma analogia entre a Síndrome do Ninho Vazio e o sentimento de luto. Para muitos pais, a separação é bastante dolorosa e traz alguns sintomas:

  1. Crises de ansiedade;
  2. Insônia;
  3. Perda de apetite e/ou libido;
  4. Depressão;
  5. Mudanças repentinas de humor.

A perda da famosa função parental pode ser ainda mais dolorosa nas mães, especialmente aquelas que se dedicaram de forma exclusiva à criação dos filhos ao longo dos últimos anos.

Geralmente, esses sintomas tendem a ser momentâneos, sendo solucionados com o passar do tempo, conforme os pais começam a entender a nova realidade de seu núcleo familiar, porém, também podem contribuir para o surgimento de quadro depressivo mais profundo. 

Portanto, mesmo se tratando de algo que costuma passar, é preciso buscar soluções para atenuar esse sofrimento. 

Mais do que atenuar é preciso entender essa etapa da vida, no qual os pais sofrem, mas precisam respeitar os filhos e tomar cuidado para que o sofrimento com a separação não impacte o jovem de forma negativa. 

A saída dos filhos de casa: um momento que chega para todos os pais

Todo pai já foi um jovem um dia, e como todo jovem, em algum momento sonhou com sua independência e autonomia. 

É preciso resgatar parte dessa memória para entender que a separação pouco tem a ver com redução na afetividade ou repulsa às figuras parentais, o processo tem muito mais a ver com o amadurecimento e busca por novos desafios.

Uma hora ou outra seus filhos vão querer comandar a própria vida, e se esse momento é encarado com naturalidade, o sofrimento é menor para todos. 

Os pais podem atenuar o sofrimento trazido pela ausência dos filhos (ou se preparar para esse momento) fazendo uma pequena reflexão sobre a ordem natural do desenvolvimento. É o famoso ciclo da vida em ação. 

Quando esse desafio bater na sua porta, o ideal é ter empatia, se colocar no lugar daquele jovem que está buscando seu próprio caminho e entender que você também passou por isso e tudo ficou bem.

Na visão dos filhos

Para a maioria dos filhos, a saída de casa é um misto de alegria com saudade muito grande, mas que vai sendo contornado, assim como você fez quando saiu da casa dos seus pais.

A ideia não é ser frio e indiferente a uma partida tão dolorosa, mas sim trocar um pouco desse sofrimento individualista do “eu vou perder meu filho” por algo como “eu preparei meu filho durante anos para esse momento, tudo que oferecemos fez dele uma pessoa preparada para encarar isso”. 

Em resumo: é claro que os pais vão sofrer com a partida, porém, é preciso encarar esse momento como algo muito natural.

Não há como frear a ação do tempo sobre nossos filhos, portanto, sofrem menos os pais que colocam boas doses de empatia neste instante e que confiam na qualidade da criação que ofereceram às crianças. 

Como lidar com a saída dos filhos?

filhos saindo de casa

Existem diversas formas de atenuar as dores trazidas pela separação dos filhos. 

A Síndrome do Ninho Vazio, como apontado anteriormente, traz sentimentos parecidos com o luto, portanto, algumas dicas para lidar com a Síndrome do Ninho Vazio passam pela ideia de superar a perda

Mas aqui há uma grande diferença. Ninguém realmente partiu, apenas se afastou, portanto, trata-se de uma cura emocional muito menos sofrida. Veja algumas dicas para superar a tristeza causada pela ausência dos filhos na sua rotina.

1. Busque outros interesses

Se você passou anos e anos tendo como maior interesse da sua vida o que seus filhos fazem, agora é o momento de buscar novos atrativos. 

caminhos educacionais

Aproveite que a separação dos filhos é acompanhada de uma redução significativa de afazeres domésticos e compromissos para preencher o tempo com atividades de lazer, uma rotina de exercícios ou com um novo hobby.

Ficar em casa pensando algo como “neste horário ou fazia o almoço para ela” ou “agora seria o momento de pegá-lo na porta do colégio” não vai ajudar a diminuir a dor. Você só vai criar momentos de saudade.

Veja também: Como orientar seu filho na escolha da profissão

2. Converse com seu cônjuge

Caso você tenha um relacionamento, este é o momento em que o companheirismo deve falar mais alto. 

Agora é hora de fortalecer o diálogo, buscar atividades para distrair a cabeça e de partilhar os sofrimentos.

Juntos vocês podem desabafar, ajudar um ao outro nos momentos em que a dor da separação se torna mais intensa, algo que é indispensável para reduzir os efeitos negativos da Síndrome do Ninho Vazio.

3. Não se esqueça dos irmãos

Nem sempre a Síndrome do Ninho Vazio acontece quando, de fato, a casa está vazia. 

Pais e mães podem sofrer com a separação mesmo enquanto outros filhos estão em casa.

Em cenários como este, vale a pena buscar na relação com as crianças a “cura” para seu sofrimento.

O ideal não é se tornar superprotetor e tratar as crianças como bebês, mas sim de enxergar o copo meio cheio

Sim, um de seus filhos saiu de casa, mas a vida segue, você continua rodeado de pessoas que você ama e as crianças estão junto contigo.

Sozinho você não está, então, é hora de buscar na presença deles a companhia necessária para amenizar a partida.

Atenção: Importante aqui não adotar esse comportamento como forma de “substituição” de um filho pelo outro. Seguir dessa maneira pode acarretar em dificultar o tratamento do luto e se tornar um processo patológico.

4. Não sofra sozinho e não diminua seu sofrimento

Caso você esteja sofrendo muito com a partida e não encontre em sua família o suporte necessário, busque ajuda profissional. 

Fazer sessões de terapia é algo muito saudável, e pode ser o caminho para ajudar você no controle das suas emoções negativas.

Não há porque encarar seu sofrimento como algo pequeno. 

Mesmo que a Síndrome do Ninho Vazio seja passageira, ela pode ser a porta de entrada para períodos depressivos mais profundos.

Portanto, não passe por isso tudo sozinho e, caso esteja sofrendo demais, não tenha vergonha de pedir auxílio. 

Sair de casa faz parte do ciclo da vida

As crianças crescem, e não há ninguém no mundo que seja capaz de reverter esse cenário. E se estamos falando de algo tão natural e inevitável, a melhor coisa que você pode fazer é se preparar aos poucos.

Se seus filhos ainda não saíram de casa, comece a refletir sobre isso, mas sem sofrimento, apenas como objeto de reflexão e preparo. E não se esqueça de algo muito importante: aproveite o agora.

Sim, aproveite que seus filhos ainda estão em casa e curta momentos com eles, ajude no desenvolvimento e sempre oferte amor, carinho, companheirismo e conhecimento. 

Parte do sofrimento da Síndrome do Ninho Vazio é trazida pelo sentimento de incapacidade, ou seja, pelo sentimento de que sua criança não está pronta para voar. 

Isso pode até ser verdade, afinal, eles são inexperientes no mundo adulto, mas se sua família construiu um caminho positivo, não há porque temer. 

Saiba que tudo passa e que novas adaptações em sua rotina podem ser o caminho para construir uma nova vida, um pouco mais distante dos filhos em termos físicos, mas que sempre terá aquela proximidade afetiva.

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