Projeto Júri: uma simulação para discutir dilemas sociais

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Uma mulher pobre que rouba comida ou presenciar um bullying por racismo. São situações mais comuns do que deveriam ser, mas que infelizmente fazem parte da nossa sociedade. 

Pensando em como prevenir ou, pelo menos, lidar de uma forma melhor com elas, o Objetivo Sorocaba realizou a simulação de um Tribunal de Júri para discutir dilemas sociais como esses.

Parte do Programa de Desenvolvimento Pessoal e Social (PDPS), a atividade prática foi realizada com os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e teve o objetivo de promover conscientização, pensamento crítico e cidadania.

A seguir, entenda melhor como o projeto Júri se desenrolou e quais os resultados obtidos até agora, porque ele ainda terá novos desdobramentos pensando no desenvolvimento dos estudantes.

Projeto Júri: o que é?

O PDPS tem buscado descobrir como favorecer o real desenvolvimento dos alunos para que eles se tornem mais do que bons alunos e futuros bons profissionais, bons cidadãos. 

O projeto Júri tem esse intuito e se utiliza da discussão de situações reais que acontecem mundo afora, que envolvem, muitas vezes, temas polêmicos como desigualdade social e racismo, para proporcionar crescimento pessoal e social.

Batizado de Tribunal dos Dilemas Sociais, o júri é composto por todas as partes que participam de um julgamento: juízes, advogados, promotores e conselho de sentença, que acolhem os casos e discutem-nos por todos os ângulos, fazendo um simulacro de júri.

Durante todo o ano, os estudantes discutem temas propícios para a idade deles e que se relacionam com situações já enfrentadas por eles ou que podem vir a ser um dia.

Projeto Júri: quais foram os resultados

Nada melhor do que os próprios alunos falarem sobre os resultados do projeto, certo? A aluna do Fundamental II Isadora Ramires Guilhen assumiu o papel de promotora do Ministério Público em um caso de furto.

Sim, é um crime e deve ser punido. Porém, o dilema tanto para a acusação quanto para a defesa era que o alvo do furto foi uma boneca e a ré vivia em condições econômicas e sociais vulneráveis. Por outro lado, ela tinha outros antecedentes mais graves.

“O caso envolvia uma mulher que não tinha muitas condições sociais e acabou, por pressões psicológicas, roubando uma boneca. Eu estava acusando ela do furto e também de outras coisas, como abandono e trabalho infantil. Tinham vários pontos a favor, mas também tinham vários contra, e a gente tinha de caçar cada palavrinha que podia ser chave para conseguir ganhar o caso e mostrar como que se impõe a sociedade”, contou Isadora.

Fernando Antonio Adad, por outro lado, fez as vezes de advogado e gostou da sua função, mesmo sendo um tanto quanto polêmica.

“O que eu mais gostei foi de estar tentando defender uma pessoa que, do meu ponto de vista, era mais por uma necessidade dela, então, era mais um crime meio psicológico”, avaliou o aluno.

Já o estudante Henrique Lourenzo Zangerolami curtiu sair da rotina e aprender através da atividade de simulação do Júri.

“Não é a mesma coisa que sentar na cadeira e ficar escrevendo um monte de coisas no caderno. A gente teve que ler, pesquisar e mostrar pras pessoas como acontece num Tribunal, mas mudar um pouco das aulas convencionais é muito bom”, elogiou Henrique.

O Júri é apenas uma das iniciativas do PDPS, que busca o desenvolvimento de soft skills – também conhecidas como competências socioemocionais -, habilidades comportamentais e a inteligência emocional.

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