[Resumo de WEBINAR] Perigos nas redes sociais para crianças e adolescentes, com Dra. Carolina Defilippi

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A quarentena nos trouxe a sensação de que estamos completamente seguros dentro dos lares. O problema é que um outro inimigo invisível, que não o coronavírus, invadiu as nossas casas: a internet

Além de todas as tarefas escolares terem migrado para o mundo digital, as crianças e os adolescentes estão mais ociosos sem as atividades extras presenciais. Com isso, estão ainda mais conectados.

Por outro lado, os pais estão mais atarefados

Seja por estarem trabalhando mais, porque é mais difícil de desconectar do emprego, ou por terem acumulado a tarefa de homeschooling. Fora todas as atividades domésticas, que se intensificaram com o enclausuramento.

Mas enquanto você está dando conta de tudo isso, o que seus filhos estão fazendo em suas telas? É para os perigos, principalmente nas redes sociais, que a advogada criminalista e mestre em Educação Carolina Defilippi chama a atenção.

Em um webinar realizado pelo grupo Ágathos Educacional, a especialista e Dra. Carolina Defilippi apresentou dados estatísticos, mostrou situações negativas ocorridas na internet e deu dicas de como os pais podem evitá-las.

A seguir, veja um resumo de tudo o que rolou no bate-papo virtual:

6 fatos sobre seu filho na internet

O ambiente digital e, principalmente, as redes sociais são espaços para a livre circulação de ideias e opiniões. O que você sabe sobre a internet?

1) Ele tem uma ferramenta, que pode ser boa ou ruim

Toda tela, seja o celular, o tablet, o videogame, a televisão ou o computador. Tudo é ferramenta. Como instrumento que é, pode ser usado para o bem ou para o mal.

Veja também: Criança no celular: Qual é o limite e perigos do uso excessivo

Por isso, em primeiro lugar, não se pode culpá-la, nem a ferramenta nem o que está nela, seja a programação da TV ou o conteúdo das redes sociais.

É por isso que não existe uma rede social ruim, um eletrônico ruim. Existe mau uso dessa ferramenta.

O momento que estamos vivendo de pandemia e quarentena nos mostra isso: 

Se não tivéssemos essa ferramentas, as nossas vidas teriam realmente parado por completo. Não teria ensino à distância, não teria trabalho home office.

Mas essas ferramentas podem, sim, ser usadas para o mal. É aí que moram os perigos.

2) Ele nunca está sozinho

Atualmente, mais da metade da população mundial está conectada à internet. Um estudo recente da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência das Nações Unidas, apontou que são 3,9 bilhões de pessoas (o equivalente a 51% da população mundial) ligadas à rede.

Ou seja, quando seu filho está com o smartphone dele na mão, deitado na cama dele, com a porta do quarto fechada, ele não está sozinho. 

Ele está na companhia de mais de 3 bilhões de pessoas de todos os lugares do mundo.

Na verdade, você está permitindo que ele fique sem a sua vigilância, mas em contato com usuários que estão atrás de outros celulares e computadores que você não faz a mínima ideia quem sejam, o que estão falando ou publicando.

3) Não adianta proibir

No mundo jurídico, costuma-se dizer que para todo problema complexo, existe uma resposta simples que certamente está errada. Não existe resposta simples para um problema complexo.

Ou seja, um pai ou uma mãe dizerem para o filho que vai acabar com o eletrônico X ou  a rede social Y não é uma boa solução, porque o mundo é muito complexo e está cada vez mais.

Então, é preciso olhar com cuidado para entender alguns comportamento que estão acontecendo para proteger os seus filhos nesse mundo complexo.

4) Ele pode ser vítima, como pode ser criminoso

Os responsáveis por qualquer criança e adolescente tem o dever de cuidado, com proteção e vigilância, para com os menores de idade. Mas essa proteção e vigilância é uma via de mão dupla. 

Ou seja, os pais devem proteger seus filhos para que eles não sofram nada de mal no mundo real e também no digital.

Mas eles não podem esquecer que têm a obrigação de proteger os seus filhos para que eles não tenham nenhuma conduta que prejudique outras pessoas.

5) Tudo o que se faz no mundo digital, fica pra sempre

Uma foto, um comentário, uma conversa, um like, um vídeo, um meme. Tudo o que se faz, o que se posta ou envia na internet, fica para sempre. Nada se apaga. Tudo deixa rastro.

No impulso de fazer novos posts, muitos adolescentes sequer pensam que familiares, antagonistas e até futuros empregadores poderão ver esse conteúdo.

O lugar onde moram e estudam, o corpo, o pensar em momento de raiva e tristeza. Tudo isso pode ser usado contra você em algum momento ou levar a um arrependimento futuro. 

O que vai para o mundo digital, seja no WhastApp ou na timeline de alguma rede social, sai do seu controle. Pode parar num site de pedolifia ou nas mãos de algum colega descontente. 

Você, pai ou mãe, precisam saber disso e seus filhos também.

6) O mundo é virtual, mas o perigo é real

O último massacre dentro de uma escola no Brasil foi todo organizado por meio da internet. 

No dia 13 de março de 2019, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, no município de Suzano (SP), dois ex-alunos, um deles menor de idade, mataram oito pessoas, incluindo cinco estudantes. Após o massacre, eles se mataram.

Desde a compra das armas passando pelo planejamento do crime, dicas e orientações foram encontradas na deep web, um segmento da internet que não pode ser encontrado por buscadores tradicionais, como o Google, e cujo acesso é feito apenas com a instalação de programas específicos.

Antes do Massacre de Suzano, muitos adultos nunca tinham ouvido falar em deep web, mas grande parte dos adolescentes já conhecia e sabia como entrar, porque muitos youtubers (com milhões de seguidores) já falavam e mostravam como fazer.

Ou seja, todo o massacre foi arquitetado online e longe dos olhos da maioria das pessoas, mas as consequências foram reais. 

Além de homicídios, outros perigos também podem sair das telas e ter graves repercussões na vida das crianças e de toda as famílias. 

Veja alguns casos citados pela Dra. Carolina de violência real no mundo virtual:

  • Grupos em redes sociais de incentivo ao suicídio. Pelo menos cinco mortes ocorridas no estado de Goiás teriam relação com essas “comunidades” em redes sociais, algumas com 18 mil seguidores (abril de 2018)
  • Perfis de incentivo a transtornos alimentares, principalmente a bulimia e a anorexia. Para burlar os filtros de redes sociais como Instagram, os usuários passaram a usar termos como #proana, uma abreviação de pró-anorexia. Muitas adolescentes migraram para o WhatsApp para cobrarem umas às outras a comerem menos (dezembro de 2018)
  • Desafio da Rasteira foi uma prática incentivada inclusive por um youtuber com mais de 2 milhões de seguidores que gravou dando uma rasteira – passando a perna para derrubar outra pessoa – na própria mãe. A perigosa brincadeira pode até levar à morte e o youtuber pediu desculpas depois (fevereiro de 2020)
  • Desafio do Desodorante foi outra ação que viralizou nas redes sociais com vídeos que incentivam os usuários a inalarem gás de desodorante aerossol pelo maior tempo que conseguirem. Pelo menos quatro mortes foram registradas nos últimos anos, de crianças de 7 e 11 anos e  adolescentes de 14 e 17 anos são suspeitas de terem sido motivadas pelo desafio (março de 2019)
  • Coronavirus Challenge, ou, Desafio do Coronavírus é um caso bem recente no qual usuários de redes sociais se filmam lambendo vasos sanitários em locais como banheiros públicos e aviões para “provar” que não pegam Covid-19. No entanto, um influenciador digital norte-americano de 21 anos foi hospitalizado dias depois de postar um vídeo no TikTok fazendo o “desafio” (março de 2020)

Esses são alguns dos exemplos negativos reais. Mas há inúmeros outros, a maioria não divulgada por envolver menores de idade, que dizem respeito a pedofilia, estupro, abuso sexual, entre outros, que também são perigos reais presentes nas redes sociais.

6 dicas para proteger os seus filhos dos perigos das redes sociais

1) Acompanhe o que ele está fazendo online

Você sabe o que o seu filho está vendo, ouvindo ou fazer na internet? Ou vocês até sentam juntos no sofá da sala, mas cada um fica com a sua tela e entram na sua própria bolha?

Quem nunca disse ou teve vontade de dizer pro filho: “Põe um fone! Não aguento esse youtuber gritando!”?

E aí ele faz o você pediu e você não tem noção do que estão transmitindo para ele, quais os valores estão sendo repassados ou o que estão mandando as crianças fazerem.

Como você vai dizer a ele se é certo ou errado, se é legal, se é ético, se você não assistir junto com ele?

2) Seja o filtro do que ele assiste

O problema não é o youtuber A ou B ou o que eles estão dizendo. O problema é o que as crianças e adolescentes estão ouvindo sem nenhum tipo de filtro.

As principais redes sociais (YouTube, Facebook, Instagram) têm idade mínima de uso para 13 anos e o WhastApp é ainda mais restritivo, para 16 anos. 

No entanto, não é muito difícil burlar essa regra e muitos nem sabem que é falsidade ideológica e é crime.

A partir do momento que o seu filho está nas redes sociais, ele tem acesso a um universo gigante de conteúdo que não tem filtro de idade, muito menos de ética, de valores e do que você quer transmitir como adequado para ele.

Por isso, você precisa saber o que está se passando para fazer esse filtro “manual”. 

3) Converse, converse, converse

Mais do que proibir, é importante conversar com seu filho e fale sobre os perigos e as consequências de todos os atos. E mais: ele precisa se sentir à vontade e seguro de conversar com você.

Por exemplo, caso ele seja exposto a algum tipo de pornografia ou pedofilia, ele precisa saber que não pode levar a diante, que precisa interromper na hora e, imediatamente, lhe avisar sobre o ocorrido.

E é preciso ter muita clareza nessas conversas: 

“Esse aplicativo existe e as pessoas podem propor coisas obscenas como isso, isso e isso. Se algo semelhante acontecer, você precisar tomar esta atitude”.

Se você não for claro, seu filho pode não saber tomar a atitude certa no momento certo. Pode ficar apavorado, com vergonha, traumatizado, o que gera consequências para toda a vida.

4) Avaliem e evitem exposição nas redes sociais

Como já mencionamos acima, tudo que vai para o mundo virtual sai do nosso controle, porque antes de ser deletado, alguém já pode ter salvo.

Por isso, antes de publicar qualquer coisa, se faça e faça o seu filho questionar:

  1. Você ficaria desconfortável se um futuro chefe ou diretor do colégio visse essa foto ou frase?
  2. Sua avó não aprovaria se visse isso?
  3. Alguém que não gosta de você poderia usar esse conteúdo contra você?

Se a resposta for sim para qualquer uma das perguntas, não publique, não mande nem para o seu melhor amigo.

Porque se o ex-ministro da Justiça vazou uma conversa privada de WhatsApp com o presidente da República, o que sobra para a gente?

5) Imponha limites claros e firmes

Uma família não é uma entidade democrática, porque pais e filhos não têm os mesmos direitos e deveres iguais. Os pais têm muito mais deveres, e mais direitos também.

Por isso que pais mandam, e filhos obedecem. 

Não significa ser tirano com eles. É possível e ideal que seja um ambiente participativo, mas deve existir um limite hierárquico.

Numa família, muitas coisas podem ser negociadas, mas há três áreas que não deveriam:

  • Ética;
  • Saúde;
  • E segurança. 

Por exemplo, a privacidade não pode existir para atos pelos quais um adulto seja responsável.

Uso de eletrônicos e redes sociais? Não existe privacidade, porque se o seu filho foi vítima de ou cometer um crime virtual, enquanto menor de idade, você é responsável e poderá sofrer as consequências. 

Veja também: Como saber o que o meu filho faz na internet?

Tomar banho, dormir e comer? Sim, pode ter privacidade, porque não envolve uma responsabilidade jurídica.

6) Ensine empatia aos seus filhos

Antes de publicar uma foto, de fazer uma crítica ou escrever um comentário, seu filhos precisa aprender a se questionar: gostaria que fosse com você? 

Aprender a se colocar no lugar do lugar do outro é importante para todas as áreas da vida, em todos os momentos, independentemente se for virtual ou não.

Veja também: Como ensinar empatia aos filhos? 5 passos

Para todas as atitudes, há consequências. E no mundo digital não é diferente. Toda conduta que se tenha tem consequências e eles vê, cedo ou tarde.

Por isso, tão importante ter empatia, para saber distinguir algo que pode trazer algum mal, e aprender a ter responsabilidade para com os próprios atos.

Mantenha-se vigilante

Isso tudo que a dra. Carolina compartilhou no webinar te tranquiliza ou te assusta? Independentemente do que você sentiu, é importante ter clareza e estar sempre bem informado.

O mundo digital oferece diversas possibilidades, como aulas, tutoriais e lives muito interessantes, como foi essa que foi mediada pela CEO do Grupo Ágathos, Maria Fernanda Tabacow.

As redes sociais são espaços para a livre circulação de ideias e opiniões e ferramentas, que oferecem uma ampla gama de informações sobre os mais diversos e interessantes assuntos, além de conhecer pessoas. 

Por outro lado, lá também estão criminosos, notícias falsas, casos de cyberbullying, constrangimentos públicos, agressões verbais, preconceitos, assédios e exposição da intimidade

Os perigos virtuais são reais e estão mais perto do que imaginamos. Por isso, os pais e responsáveis precisam estar sempre atentos aos conteúdos acessados pelos filhos, para garantir a segurança deles e evitar problemas graves.

Enquanto seu filho estiver conectado, mantenha-se vigilante. 

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