10 perguntas cabeludas de filhos para pais na infância (saiba como respondê-las)

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No final dos anos 90, a cantora Paula Toller fez uma canção intitulada Oito Anos. A letra é uma homenagem à uma das virtudes mais bonitas das crianças: a curiosidade. A compositora elenca uma série de perguntas de filhos para pais, tais como:

  • “por que a gente morre?” 
  • “por que o fogo queima?”

E algumas bem difíceis de responder como “o que significa impávido colosso?”

E é claro que ela não poderia deixar de fora a categoria das perguntas, digamos, “cabeludas”

Aquelas difíceis de responder, mas que pedem explicações sérias e coerentes com a idade da criança. 

Todo pai e mãe passa por uma situação como essa. 

É só os pequenos ampliarem um pouco seu conhecimento de mundo para começarem a temporada das perguntas constrangedoras, e os pais precisam estar preparados para não dar aquela engasgada e responder com a melhor resposta para seu pequeno.

10 perguntas “cabeludas” de filhos para pais

No post de hoje, vamos destacar algumas das perguntas de filhos para pais que fazem parte do cotidiano de muitas famílias, mas que podem gerar algumas confusões na hora da réplica. Preparado(a)?

1) “De onde vêm os bebês?”

cegonha

Quando as crianças veem mulheres grávidas e bebês de colo, é comum que surja a dúvida sobre a origem da vida.

Cada idade pede uma explicação coerente, porém, para os pequenos (por volta dos quatro anos, quando a dúvida começa a surgir pela primeira vez) o ideal é ser bem simples e realçar que um bebê surge do amor dos pais. 

Veja também: Tudo sobre Comportamento Infantil dos 4 aos 5 anos

Aqui valem as figuras clássicas de linguagem como “a sementinha na barriga da mamãe”, porém, deixe que a curiosidade da criança guie a sua resposta. 

Se ela se contentar com algo como “bebês surgem do amor do papai e da mamãe”, deixe as explicações mais aprofundadas mais para frente. 

Conforme as crianças crescem, surge a necessidade de explicações mais condizentes com a idade, porém, sempre respeite o tamanho da curiosidade dos seus filhos na explicação. 

2) “De onde eu vim?”

Essa é bem semelhante à anterior, porém, é preciso atenção nesta pergunta pois, neste caso, a criança pode acreditar que seu surgimento é diferente dos demais bebês. 

Caso você já tenha explicado sobre a origem dos bebês, vale reforçar que seu filho nasceu como todos os outros, de um ato de amor dos pais. 

Em caso de pais separados, é importante que os dois responsáveis tentem sustentar o mesmo tipo de argumentação para não criar confusão para os pequenos. 

Ouvir do papai que a origem é a cegonha e ouvir a mamãe contando a história da sementinha pode dar um nó na cabeça deles, portanto, lembre-se: o amor pode ir embora, mas a união para criar o filho deve permanecer, inclusive nesses pequenos detalhes.

3) “O que é sexo?”

Depois das primeiras descobertas sobre a reprodução, vai chegar o momento de falar do ato sexual.

Nesta etapa da vida, as crianças já estão um pouco mais conscientes de suas diferenças corporais e podem ser guiadas por uma resposta mais ligada à biologia, com a introdução dos termos como espermatozóide e óvulo. 

Aqui é preciso tomar cuidado com a resposta pois, em muitos casos, as crianças já não são tão inocentes quando fazem esse questionamento, contudo, é interessante abordar a questão fisiológica do sexo e sua finalidade, para só entrar em detalhes sobre a “parte social” do sexo (e somente se houver algum tipo de provocação por parte da criança, e caso os pais já sintam maturidade o suficiente para tocar neste tema). 

4) “Um homem pode beijar outro homem? E uma mulher pode beijar outra mulher?”

Essa resposta requer muita reflexão dos adultos. 

É momento de deixar de lado antigos preconceitos e estigmas sociais para falar com seus filhos sobre sexualidade. 

Vivemos um contexto no qual a sexualidade ainda é um tabu para muita gente, mas não deveria, portanto, é hora de começar a criar uma geração de pessoas que se importam menos com esse tipo de assunto, não é mesmo?

A melhor resposta é dizer que sim! 

Que homens e mulheres podem gostar de pessoas do mesmo sexo e que não existe certo ou errado quando o assunto é o amor e o carinho. 

Em caso de crianças que estudam com colegas que afirmam preconceitos, é importante não gerar conflito, mas reforçar que o amiguinho não está certo e que não se deve julgar as pessoas pelas diferenças. 

Outro ponto importante: relacionamento homoafetivo vai muito além de beijo, portanto, explique que além de beijar, pessoas do mesmo sexo podem se casar, constituir família, morar juntos como qualquer casal.

5) “O que é gay?”

Uma pergunta complementar à anterior pode surgir quando uma criança escuta a palavra “gay”, “homossexual” ou termos relacionados. 

Para explicar, vale reforçar que o amor não tem regras e que a felicidade acontece entre todos os tipos de casal, porém, vale explicar a termologia, com muito cuidado para apontar o que são os termos mais corretos e aqueles que não passam de insultos. 

6) “Por que meu pipi fica grande?”

Ainda quando são bem pequenos, as crianças aprendem que tocar em seus genitais pode despertar sensações de prazer diferentes.

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É comum que isso aconteça e os pais não devem reprimir, mas sim orientar. 

Caso seja abordado com essa questão, pense no assunto como sendo a masturbação, a descoberta do corpo e da região sexual por parte do indivíduo. 

É importante dizer que esse tipo de coisa acontece quando tocamos na região e que isso é algo naturalmas que não deve ser feito na frente dos outros e que irá compreender com mais clareza conforme cresce. 

Fique tranquilo, deixar de reprimir não vai fazer seu filho de quatro anos começar a se masturbar!

O papo é momentâneo e tem a ver com algum pequeno estímulo que ocorreu, portanto, não precisa se constranger e cortar o assunto. 

7) “Por que o papai tem um pipi e mamãe não?”

A anatomia humana gera dúvidas logo cedo nas crianças, especialmente se elas costumam tomar banho com os pais. Esse tipo de pergunta não precisa gerar constrangimento. 

É só explicar as diferenças que o corpo de um homem e uma mulher possuem.

Nós temos muita dificuldade de lidar com essa pergunta pois se trata de nossos filhos analisando nossos corpos!

É difícil lidar com essa situação, mas saiba que a criança vê tudo de uma maneira bem diferente.

Foque em esclarecer que os corpos de indivíduos do sexo masculino e feminino são diferentes e, se quiser, exemplifique com outras espécies (galos e galinhas, leões e leoas, etc).

O foco da pergunta não é o órgão sexual, mas sim o tamanho da diferença corporal que eles causam na imagem do homem e da mulher. 

8) A gente é rico ou pobre?

Essa pergunta é bem intrigante e pode surgir devido à diversas situações, como perceber que os colegas têm acesso às coisas que a criança não tem, ou o contrário, ao notar que ela tem mais posses que os colegas.

Riqueza e pobreza são antônimos fáceis de serem entendidos pelas crianças e aparecem em diversas histórias e contos de fadas, portanto, elas entendem o que são esses conceitos, mas só conseguem definir em casos extremos.

Mais importante do que explicar em qual classe econômica ela se encontra é reforçar que o dinheiro é algo importante, mas que não deve ser a coisa mais importante, sendo o respeito algo de mais valor. 

Inclusive, reforce que as diferenças sociais não permitem desrespeito, especialmente se você for de uma classe mais alta.

9) “O que acontece quando a gente morre?”

Como responder algo que ninguém sabe? 

Simples, fale para a criança que ninguém sabe ao certo essa resposta e que as diferentes respostas tem origens nas diferentes crenças. 

É um bom momento para falar rapidamente sobre religião e alguns doutrinamentos religiosos, porém, tome cuidado com a carga de conceitos!

O importante é tentar realçar que as pessoas seguem um caminho de aprendizado após a morte, e que todas as crenças acreditam, em uma forma ou de outra, que existem caminhos para ser feliz e descansar após a vida.

Essa pergunta costuma surgir quando há a perda de alguém (um dos avós, um bichinho de estimação, etc) portanto, tenha sensibilidade para compreender que a criança pode estar questionando isso por afeto com quem partiu.

10) “Vocês vão se separar?”

Os filhos podem sentir que as coisas não estão bem entre um casal e uma das perguntas de filho para os pais que pode mais machucar é essa.

Uma separação é algo triste para a família, principalmente para a criança, que quer ver seus pais juntos. 

Nesse momento, é hora de deixar as diferenças do casal de lado e focar na criança. Fale abertamente que não é necessário viver como um casal se não existe mais amor, mas reforce que os dois continuam juntos na missão de amar o filho.

Conclusão

Quando você ouvir qualquer uma das perguntas de filhos para pais acima, fique tranquilo.

Sempre lembre de adaptar a sua resposta à idade do seu filho e ser carinhoso nas respostas. 

Jamais reaja como se não tivesse ficado contente a pergunta.

Atitudes como essa podem levar seu filho a evitar fazer essas perguntas a você e fazê-las a outras pessoas. 

Lembre-se que muitas outras perguntas ainda lhe deixarão sem graça.

Se quiser mais exemplos, convidamos você a ouvir a música citada lá no começo do texto ou fique de olho no seu filho, converse com ele e se prepare, afinal, ninguém escapa da curiosidade deles!

Gostou do artigo? Existe outra pergunta que seu filho já tenha feito e não está incluída nessa lista? Deixe abaixo o seu comentário.

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