Namoro na pré-adolescência: Permitir ou não? Entenda como lidar com a situação

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“Meu filho tem 12 anos e, recentemente, descobri que ele está “namorando” com uma menina da mesma idade. Fiquei assustada(o). Eles são tão novos! É tão cedo! O que eu faço?”

As idades até variam, mas a situação é a igual para muitos pais – e a dúvida também: namoro na pré-adolescência: os pais devem permitir ou não? 

A partir da opinião de especialistas, abordamos alguns dos principais pontos que devem ser levados em conta antes de julgar seu filho, colocar de castigo ou proibir a relação, além, claro, de não fazer nada e deixar as coisas rolarem. 

Tente definir o tipo de namoro 

A Academia Americana de Pediatria afirma que, em média, as meninas começam a namorar com 12 anos e meio de idade e os meninos um ano mais velhos. No entanto, pode não ser o tipo de “namoro” que você está imaginando.

Você até pode ouvir seu filho ou filha falando “estou namorando o(a) fulano(a)” ou “eu e fulano(a) estamos juntos”, mas dificilmente essa relação será o que você pensa que é um namoro.

Quando seu filho ou filha menciona as palavras namoro, namorada ou namorado, tente ter uma ideia do que esses conceitos significam para ele(a). 

Por isso, o primeiro passo é descobrir que tipo de convívio eles estão tendo. 

  • Para alguns pré-adolescentes, namorar pode ser sinônimo de passar muito tempo trocando mensagens de texto e áudio ou compartilhando imagens nas redes sociais.
  • Outros passam bastante tempo juntos, como nos recreios ou ao final da aula.
  • Há, ainda, aqueles que podem ter progredido para segurar as mãos. 
  • Mas não se engane. Pode ser que seu filho ou filha esteja, sim, beijando na boca, mesmo que seja somente o tipo “selinho”, ou mesmo indo além.

É preciso ter em mente que seu filho ou filha provavelmente passe mais tempo com seus colegas do que com você. Por isso, na escola, fortes ligações, inclusive românticas, podem ser formadas e as coisas podem ficar sérias rapidamente.

Conversa e maturidade são fundamentais

Deixe de lado seu lado detetive secreto. Para entender o tipo de relacionamento que seu filho ou filha está tendo e, principalmente, se ele está ou não pronto para isso, é fundamental conversar com ele(a) sobre o namoro na pré-adolescência

Pode ser um pouco desconfortável ou constrangedor para vocês dois, mas se ele(a) não conseguir nem discutir o assunto com você sem ficar muito envergonhado(a) ou chateado(a), considere isso como um sinal de que ele provavelmente não está pronto.

Outros aspectos a serem considerados nesta conversa:

  • Seu filho ou filha está realmente interessado(a) em alguém em particular ou está apenas tentando acompanhar o que os amigos estão fazendo?
  • Você acha que seu filho ou filha lhe contaria se algo desse errado?
  • Ele(a) está confiante e feliz?
  • O desenvolvimento físico dele(a) corresponde ao seu desenvolvimento emocional?

Saiba que, para muitos pré-adolescentes, namorar significa socializar em grupo. Embora possa haver interesse por uma pessoa em particular, não quer dizer que ele esteja saindo só com ela.

Agora, se você está percebendo que ele(a) já está nesse outro nível de relação, indo ao cinema somente com o(a) menino(a), por exemplo, é preciso avaliar a maturidade emocional e o senso de responsabilidade dele(a) para saber se está pronto para isso.

Por outro lado, os pais têm uma certa tendência de considerar o relacionamento dos filhos como superficial e passageiro, enquanto que para o adolescente o romance é muito sério.

Por isso, é fundamental que os pais exerçam a empatia com seu filho ou filha adolescente (aliás, em todas as fases da vida) para entender e compreender tudo o que acontece no namoro.

Aliás, segundo a psicóloga Mariagrazia Marini Luwisch, “o primeiro amor tem um papel muito importante na forma como o seu filho irá se relacionar com o mundo e com as pessoas no futuro.” Por isso, não trate como uma simples brincadeira. 

Namoro na pré-adolescência: e quando você acha que “é muito cedo”?

Não existe regra ou uma idade mínima para o primeiro relacionamento amoroso. Uma menina de 16 anos pode não estar pronta, enquanto um garoto de 14 talvez esteja mais maduro, ou vice-versa. 

Não permita o namoro na pré-adolescência só porque outros pais deixam, ou proíba porque os demais o fazem. Cada criança é um indivíduo único e precisa ser considerada segundo sua própria maturidade.

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Segundo a conselheira Heidi McBain, a idade para começar a namorar é determinada pelo(a) próprio(a) adolescente. Como saber se ele(a) está pronto(a)? A especialista dá algumas dicas::

  1. Tiver um bom senso de si mesmo;
  2. Tiver boas habilidades de gerenciamento do tempo;
  3. Estiver indo bem na escola e em suas atividades;
  4. For confiável, ou seja, está onde diz que estará, liga para dizer onde vai, chega em casa antes do horário-limite estabelecido, etc.;
  5. É emocionalmente maduro(a) no sentido de que pode lidar com sentimentos positivos e negativos de uma forma saudável.

Se ele(a) preencher todos os pré-requisitos acima, talvez valha dar uma chance para ele(a) viver da forma como quiser uma relação.

No entanto, a psicoterapeuta Kelley Kitley alerta: é importante dar-lhes independência, mas também supervisão. Por isso, é fundamental estabelecer regras básicas.

E quando seu filho quer um relacionamento LGBTQ?

De acordo com especialistas, a consciência do desejo sexual acontece progressivamente. Em alguns casos, começa ainda na infância, mas em outros só aparece na adolescência ou até mais tarde pelo medo de encarar a opção.

O comum é que na pré-adolescência, por volta dos 12 anos, comece a surgir o interesse pelo sexo e, também, por pessoas do mesmo sexo

Em primeiro lugar, é preciso encarar que menina gostar de menina ou menino de menino não é um problema, uma doença ou um erro. 

O preconceito que ainda infelizmente enfrentamos faz com que adolescentes que sentem atração por alguém do mesmo sexo sintam-se inicialmente diferentes da maioria do grupo e tenham receio de contar aos pais

Tudo isso dificulta ainda mais o momento complexo por natureza. Por isso, antes de mais nada, é preciso que seu filho se sinta à vontade, desde antes da pré-adolescência, para dividir suas experiências e vontades com você. 

Vale ressaltar que os adolescentes, meninos e meninas, são tão diferentes entre si que não podemos estabelecer uma regra geral em relação ao seu comportamento frente à sexualidade. 

Por isso, voltamos à dica lá de cima: converse, converse e converse com seu filho ou filha. É a única forma de saber o que está acontecendo verdadeiramente com ele(a) e poder ajudá-lo(a) a passar por todas as descobertas de forma menos traumática possível.

Cuidado com a proibição

Independentemente da opção sexual ou da idade do seu filho ou filha, pense muito bem antes de usar a palavra “proibido” com ele(a).

Se você abordar o assunto “namoro na pré-adolescência” de forma dura e quiser impor regras restritivas sem antes ouvir o ponto de vista dele(a), você corre o risco de prejudicar seu relacionamento com ele(a). 

As consequências podem ser ainda piores se a maioria dos colegas dele já estiverem namorando, porque se sentirá excluído e deixado para trás com relação aos outros da sua idade. 

Isso não significa que você deve deixá-lo(a) namorar quando você realmente acredita que ele(a) não está pronto para isso. Mas é um alerta para que você considere seus motivos com cuidado.

Os adolescentes simplesmente não respeitarão sua autoridade se seus motivos parecerem ridículos. Se você pretende ajudar seu filho adolescente a ter experiências saudáveis, compartilhe suas próprias histórias de namoro daquela idade e expresse seu desejo de que eles tenham uma experiência agradável”, aconselha a psicóloga Jennifer B. Rhodes.

Esteja pronto(a) para conversar

Depois de tomar uma decisão, seja claro com seu filho ou filha sobre o assunto. Quaisquer que sejam as “regras” ou “limites” que você imponha, sempre diga a ele(a) que você realmente deseja que o namoro seja uma experiência positiva.

Compartilhe as suas próprias experiências com ele(a) e mostre que existe uma hora certa para tudo de acordo com a nossa própria maturidade.

Deixe claro que você está pronto para conversar sobre isso, sem julgamento ou recriminação. É, sim preciso acompanhar e orientar com cuidado, mas seja gentil. 

Todo mundo merece viver o amor, ainda mais o primeiro, de forma que seja inesquecível e feliz quando e enquanto durar.

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