Ensino Médio: como os professores podem potencializar o aprendizado do seu filho em tempos de isolamento

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Em tempos de isolamento social, a necessidade do ensino a distância tem exigido uma mobilização extra da comunidade escolar. 

Metodologias on-line específicas, novas formas de interação e exercícios para manter o foco são apenas alguns dos desafios que alunos e professores têm enfrentado diariamente. 

Como montar estratégias efetivas de aprendizado para estudantes que já apresentam mais autonomia, como os que cursam o Ensino Médio

Quais modelos de ensino podem ajudá-los nesse momento que exige não só a assimilação de conteúdos complexos, como também a preparação para o vestibular? 

O caminho passa pela atuação dos educadores, que precisam, mais do que nunca, incentivar o foco e promover a interação virtual na sala de aula. 

Veja abaixo 6 motivos que evidenciam como a “presença” dos professores potencializa o ensino dos adolescentes e ajuda-os a enfrentar esse momento com mais tranquilidade. 

1) Professores são estratégicos nas aulas on-line 

Se já é difícil manter a atenção dos adolescentes em aulas presenciais, no formato a distância o desafio fica ainda maior. 

É por isso que os professores capacitados para atuar com as metodologias on-line procuram gravar exposições mais curtas. 

Depois disso, postam o material em um repositório para que os alunos possam acessar a explicação no tempo em que acharem mais confortável. 

Para garantir a assimilação do conteúdo, porém, os educadores reservam a maior parte do tempo para solucionar dúvidas durante encontros virtuais em tempo real. 

Esse processo é fundamental para que os professores também acompanhem a evolução da turma. 

Como já comentamos, essa faixa etária já apresenta mais autonomia na busca de conteúdos. A presença do educador, portanto, é fundamental no sentido de mediar o conteúdo e ser criativo para que não percam o foco. 

2) Sugerem trabalhos em grupo 

O afastamento da convivência diária com os amigos e das experiências na sala de aula contribui para que estados emocionais desconfortáveis aumentem. Por isso é tão importante propor trabalhos em grupo. 

A formação de grupos de estudos e atividades em duplas conforme as afinidades nas mais diversas áreas do conhecimento é um reforço ao desenvolvimento da iniciativa social. 

Mesmo que a distância, o contato é sempre importante para minimizar o sentimento de solidão. 

3) Promovem o vínculo 

Além de incentivar a interação na turma, os professores podem colaborar para que os alunos exercitem a empatia nesse momento de isolamento social. 

Promover momentos de troca em que os colegas contem como estão se sentindo aproxima e conecta os adolescentes. 

Os educadores também podem reforçar que este é um momento de vulnerabilidade e que está tudo bem não estar bem. 

Ou seja, toda a turma passará por altos e baixos, mas também sairá dessa mais forte e consciente sobre o que realmente importa. 

Nesse contexto, é importante trazer à tona a teoria do psicólogo e pensador da educação, Henri Wallon. 

Segundo ele, afetividade e inteligência são questões complementares. 

Justamente por isso é tão importante desenvolver atividades que envolvam os alunos de forma integrada. 

O trabalho de questões afetivas funciona como um trampolim que incentiva a expressividade e o desenvolvimento do adolescente. 

A sala de aula, inclusive a virtual, continua sendo um rico ambiente de construção de conhecimento e troca de afeto. 

4) Exercitam a responsabilidade e a autonomia 

A quarentena exige dos estudantes uma nova dinâmica. Com a rotina 100% a distância, novos desafios são impostos requisitando mais foco, determinação e, acima de tudo, responsabilidade para não perder de vista os objetivos traçados para depois da conclusão do Ensino Médio. 

Com os alunos do Ensino Médio, essa exigência fica ainda mais intensa, afinal, além de dar conta da grade curricular, eles também precisam se preparar para vestibular e Enem. 

Os professores, nesse sentido, têm papel fundamental de orientar os estudantes com dicas que vão desde a organização mental a métodos de estudo para os futuros processos seletivos, sempre priorizando o comprometimento sobre aquilo que vem sendo exigido. 

5) Curadores do conhecimento

 Se antes o professor era o único a dominar e ter contato com determinados conteúdos, hoje a internet democratiza esse acesso. 

Em tempos de quarentena, tal processo fica ainda mais evidente, já que os alunos têm mais tempo para buscar a informação por meio de videoaulas, documentários, artigos e outras formas disponíveis na rede. 

A informação pura, entretanto, não contextualiza e é por isso que cabe ao professor ser o curador do conhecimento. 

Ou seja, o professor é aquele que seleciona o que é relevante e desenvolve, com as suas turmas, habilidades como pesquisa, interpretação, análise crítica e conexão entre as informações capturadas. 

Essa orientação de rota é extremamente importante para que as turmas não apenas acumulem informações, mas deem sentido ao conteúdo que chega e associem o assunto também aos acontecimentos da rotina. 

Afinal, conhecimento é mais do que decoreba. É construção coletiva. 

6) Apoio emocional na preparação para o vestibular 

É fato que o maior desafio dos alunos que ingressam no Ensino Médio é a preparação para o vestibular. Trata-se de um período de muita pressão em que estudantes entre 16 e 17 anos são direcionados a escolher qual área seguir. 

Também é tempo em que a competição, invariavelmente, acaba aparecendo e que sentimentos como fracasso, desânimo e a até a busca pela perfeição podem se manifestar com mais intensidade. 

O papel dos professores nessa etapa é crucial para manter a motivação e mesmo trazer palavras de conforto, especialmente quando todos estão afastados fisicamente. 

Mais do que nunca, professores são fontes de motivação

Não há uma forma única para lidar com adolescentes em tempos de pandemia. As reações são diversas e o papel dos professores, além de apresentar novos conteúdos, é mostrar apoio e mostrar-se aberto a ouvir as angústias e inseguranças.

É fato que a escola não será mais a mesma depois da pandemia. O conceituado sociólogo Zygmunt Bauman já adiantou que a modernidade é líquida e que nada é permanente.

Na Educação, a crise antecipa as tendências no mundo digital, mas também reforça o papel do professor diante dessa transformação.

Confiemos nesses profissionais e deixemos que exerçam seu papel na construção de um mundo melhor, mesmo (e especialmente) em tempos de quarentena.

Estamos todos juntos nessa.

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