Educação 4.0: O que é e por que a escola do seu filho deve pensar nesse conceito

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Novas tecnologias, como a Internet das Coisas, Big Data e Inteligência Artificial, fazem parte da chamada Revolução Industrial 4.0. As mudanças nas indústrias impactam diretamente na nossa vida, inclusive no modo de educar e aprender.

A evolução do ensino culminou na chamada Educação 4.0, que busca unir técnicas tradicionais com as mais tecnológicas dentro das salas de aula.

A Educação 4.0 é uma tendência no mundo todo, mas ainda não tão conhecida no Brasil. 

Quer saber por que a escola do seu filho deve pensar nisso? A seguir, entenda mais sobre esse conceito e quais os seus impactos na forma de aprendizado.

O que é a Educação 4.0?

A Educação 4.0 é a forma de ensino que surge em resposta à Indústria 4.0, a revolução tecnológica que estamos vivenciando em todo o mundo e que impacta diretamente na forma de ensino que vai formar as novas gerações de trabalhadores. 

Neste contexto, quadro negro, giz e caderno passaram a não ser suficientes para transmitir conhecimento aos alunos numa realidade que inclui robôs, impressoras 3D, linguagem computacional e outras tecnologias automatizadas e digitais.

É importante afirmar que: não existe um formato único ou um conceito completamente definido para a Educação 4.0. 

Atualmente, as escolas que estão buscando se adaptar à essa nova realidade utilizam o formato learning by doing, que nada mais é do que “aprender fazendo”, ou seja, por meio de experimentação e prática.

A ideia vai muito além de oferecer tablets, utilizar aplicativos ou oferecer aula a distância. 

O fato é que a maior mudança neste cenário tecnológico 4.0 está em repensar a abordagem do ensino em sala de aula.

Segundo o dr. Cassiano Zeferino de Carvalho Neto, no livro Educação 4.0: princípios e práticas de inovação em gestão e docência,

“a Educação 4.0 consiste em uma abordagem teórico-prática avançada para a gestão e docência na educação formal que vem demonstrando, por evidência de pesquisas de base científica e tecnológica, seu potencial transformador e inovador para as instituições de ensino”.

O grande desafio da Educação 4.0 é manter o interesse dos alunos, que já nasceram numa geração alfabetizada digitalmente antes de aprender o alfabeto e que não veem nada de estranho em interagir com um robô.

Hoje, é fácil afirmar que muitas crianças têm contato com um tablet ou smartphones antes de um livro.

Nesse sentido, há pelo menos três aspectos que devem ser repensados pelas escolas e pelos pais na hora de escolher onde matricular seus filhos:

  • Professor: essa figura não perde a importância, mas muda seu papel. Ao invés de ser o único  responsável por repassar conhecimento aos alunos, o professor assume um papel de orientador e incentivador do aprendizado.
  • Estudante: deve desenvolver a aprendizagem autônoma para ser capaz de continuar aprendendo dentro e fora da escola e na vida adulta e a conseguir responder com agilidade às inovações tecnológicas. Assim, torna-se um adulto hábil para lidar com os mais diversos desafios, incluindo o mercado de trabalho.
  • Ambiente escolar: o tradicional formato das salas de aula, com quadro negro e carteiras enfileiradas , passa a dar lugar a áreas mais dinâmicas e colaborativas, que permitem a interação e a experimentação dos alunos.

Como a Educação 4.0 irá impactar a forma de aprender?

Em 2017, estudos apresentados no The Global Summit 2017 sobre o futuro da educação já chamavam a atenção para as mudanças na educação devido às novas tecnologias.

Um desses trabalhos, o Relatório The New Work Order, apresentou uma estatística importante e preocupante:

60% dos estudantes australianos sonham com profissões que se tornarão obsoletas devido aos avanços tecnológicos e à automação.

Em 2020, o Fórum Econômico Mundial informa que 65% das profissões do futuro não existem hoje. 

Como as transformações tecnológicas não foram interrompidas, muito pelo contrário, estão cada vez mais velozes, é que é necessário reformular a educação para capacitar as futuras gerações para saberem se reinventar.

Nesse sentido, o relatório trouxe algumas importantes recomendações às escolas:

  • Dar mais ênfase às habilidades digitais;
  • O desenvolvimento de Competências e Habilidades sócio-emocionais;
  • Incentivar o empreendedorismo;
  • E promover mais estímulos ao uso da empatia com inteligência desde os primeiros anos escolares.

A Educação 4.0 deve ser aplicada com o objetivo não de acumular conhecimento, mas de fornecer um ensino mais personalizado, que seja capaz de oferecer aos estudantes as habilidades necessárias para atuar em profissões do futuro.

Tudo bem que os robôs já são realidade em muitas indústrias, mas o trabalho humano deverá seguir sendo necessário, apenas será exigido de outras formas, e é para isso que as escolas devem estar preparadas.

4 Metodologias ativas da Educação 4.0

Como já mencionamos, não há um modelo pronto e fechado para as escolas se adequarem à Educação 4.0. Mas existem algumas metodologias que já vem sendo implementadas e que se adaptam às transformações tecnológicas.

Veja algumas dessas opções: 

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1) Ensino híbrido

É a metodologia que combina o aprendizado on-line com o off-line, intercalando momentos em que o aluno estuda sozinho, de maneira virtual, com outros em que a aprendizagem ocorre de forma presencial, valorizando a interação com os colegas e os professores

Esse modelo permite um maior domínio das ferramentas digitais e tecnológicas sem deixar de lado as interações humanas presenciais.

2) Cultura maker

Não seja exatamente uma metodologia, mas, como o nome diz, uma cultura que deve permear todas as iniciativas da Educação 4.0, porque estimula o aprendizado por meio de uma filosofia “faça você mesmo”

Com isso, o aluno passa a ser mais autônomo e desenvolve as capacidades de acordo com o que for mais efetivo para ele e o futuro que busca.

3) Aprendizagem baseada em projetos

Do inglês Project Based Learning (PBL), é uma metodologia que relaciona a construção do conhecimento à investigação e proposta de soluções para situações reais. 

A aprendizagem baseada em projetos torna o aprender e o fazer inseparáveis, porque leva o estudante a identificar o problema até à solução dele, incluindo a parte prática – de preferência com uso de conhecimento científicos e tecnológicos.

4) STEAM/STEM

Stem é a sigla utilizada para se referir à “Science, Technology, Enginnering and Mathematics”, que significam “Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática”. 

O Steam acrescenta o “A” de “Arts” (“Artes”) a este conjunto. 

O objetivo é acrescentar ao ensino aulas de programação, robótica, musicalidade e teatro, para que os estudantes possam ter variadas competências e estímulo a diferentes áreas do conhecimento.

5 vantagens da Educação 4.0 para a educação de crianças e adolescentes

Depois de saber um pouco mais sobre esse universo novo e inovador da Educação 4.0, chegou a hora de conferir quais são os principais benefícios de investir em uma escola que adote metodologias ativas e que busque ir além dos métodos já ultrapassados.

1) Técnicas adaptadas aos novos tempos

Pais e mães sabem bem que seus filhos não se contentam mais com velhas distrações e muito dificilmente não estão conectados à internet

Na escola, não é diferente. 

O tradicional formato de ensino já não mantém os jovens interessados e, sem interesse, mais difícil será o aprendizado. 

Por isso, é importante contar com uma escola que se utilize de metodologias mais atuais e que se adaptem às transformações digitais.

2) Tecnologia como aliada

Apesar de ser desafiador, a tecnologia é uma aliada da educação.

Unindo novas ferramentas com um bom preparo, o processo de ensino se torna mais dinâmico, trazendo uma variedade de formas de aplicar conteúdos e eliminando boa parte do tempo que antes eram gastos com as funções burocráticas nas salas de aula.

3) Autonomia dos alunos

Ser mais independente e capaz de aprender sem que o professor esteja sempre junto é um dos grandes diferenciais da Educação 4.0 e que abre portas para que muitas outras competências sejam trabalhadas. 

Pessoas autônomas são muito mais capazes de se ajustarem a novas realidades, o que é fundamentalmente importante no mercado de trabalho atual, que passa por transformações constantes. 

4) Inteligência emocional

Para além das habilidades técnicas requisitadas pela Indústria 4.0, como robótica e  programação, esse novo formato de ensino permite o desenvolvimento de uma série de capacidades “sociais”.

Estamos falando de habilidades como:

  • Trabalho em equipe;
  • Criatividade
  • Empatia;
  • Pensamento crítico
  • Comunicação;
  • Capacidade de liderança;
  • E outras competências que fazem parte da inteligência emocional.

5) Maior interação com professores

As metodologias ativas de ensino proporcionam uma interação muito maior entre estudantes e professores, seja pela reorganização do ambiente escolar quanto pelas técnicas de ensino, que são muito menos hierárquicas e mais horizontais. 

Com isso, o aprendizado tende a ser menos complicado e mais fluído, afinal, o professor é mais do que um tutor, mas um incentivador e até um amigo, que está ali para apoiar o estudante, e não apenas cobrá-lo.

A Educação 4.0 está aí. E agora?

Estamos vivendo uma revolução na educação e as novas gerações têm cobrando por isso. Afinal, a revolução industrial transformou toda a nossa vida, inclusive dentro de casa, e a escola não pode passar imune, permanecendo com velhos paradigmas.

É preciso deixar de lado a ideia de que jovens não querem mais aprender – eles não tem é interesse em aprender do mesmo jeito que as gerações anteriores.

Por isso, as escolas devem incorporar novos métodos e tecnologias, formando pessoas cada vez mais capacitadas para lidar com as transformações. 

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